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Em depoimento concedido no último dia 16, o médium João de Deus, acusado de ter cometido vários abusos sexuais, fez declarações polêmicas e consideradas contraditórias pelos investigadores que lidam com o caso.

Um dos trechos que chamou atenção foi a responsabilização dos “espíritos” sobre os procedimentos praticados na Casa de Dom Inácio de Loyola, local onde atendia o místico em Abadiânia, GO.

“No atendimento não é repassada receita, as orientações são repassadas pelo espírito, ou seja, não é de maneira escrita”, diz uma parte das notas taquigráficas colhidas durante o depoimento e divulgadas pelo O Globo.

Questionado sobre o fornecimento de uma “receita” para a compra de medicamentos – o que tecnicamente não é permitido, uma vez que o mesmo não é médico – o médium tentou se explicar.

“[Ele] Esclarece que apenas atende e orienta. Informa ainda que alguns frequentadores já adquirem os produtos, mesmo sem o encaminhamento do espírito, pois são frequentadores do local há muitos anos e acreditam na eficiência do produto”, continua a nota.

João de Deus também negou que solicitava atendimentos individualizados. Ele resolveu colocar a culpa em seus seguidores, dizendo que “são as pessoas que o procuram em busca de um atendimento individualizado, vez que são os frequentadores quem solicitam tal atendimento e não o interrogado”, acrescenta a nota.

Preso preventivamente, João de Abadiânia, como também é conhecido, aguarda o desfecho das investigações que podem lhe condenar definitivamente. Até o momento já foram mais de 500 denúncias contra o médium, incluindo o depoimento de uma das suas filhas.

 

Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdemiro Santiago integram a lista de convidados pessoais do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para a cerimônia de posse, no próximo dia 01 de janeiro. Ao todo, mais de 140 convidados foram selecionados.

A posse de Jair Bolsonaro acontecerá sob forte esquema de segurança, e deverá ficar marcada como uma das mais populares do período que marca as eleições presidenciais com voto direto, com previsão de presença de 500 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.

A família do presidente eleito comparecerá em peso à posse: sua mãe, Olinda, com 89 anos de idade, e o único irmão de Jair Bolsonaro, Renato, estarão nas primeiras fileiras, assim como filhos, noras, cunhados, netos e sobrinhos também devem preencher as cadeiras reservadas aos convidados do mandatário.

Além do pastor Silas Malafaia, do bispo Edir Macedo e do auto-intitulado apóstolo Valdemiro Santiago, Bolsonaro fez questão de chamar o pastor Josué Valandro Jr., que dirige a Igreja Batista Atitude, no Rio de Janeiro, onde a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, é membro. Recentemente, Valandro esteve presente na cerimônia de diplomação do presidente eleito e fez uma oração pelas autoridades presentes.

De acordo com informações da rádio Jovem Pan, ao todo serão dois mil convidados para a cerimônia no Congresso Nacional, onde Bolsonaro será empossado. Os convites têm sido entregues via Sedex, mas em alguns casos, a entrega é feita em mãos.

Uma recepção após a tradicional subida da rampa do Palácio do Planalto será feita no Ministério das Relações Exteriores, com a presença de outros mil convidados, que incluem autoridades de primeiro escalão do governo atual e do futuro, militares de alta patente, chefes de Estado, diplomatas, deputados estaduais e federais, senadores e governadores eleitos ou reeleitos dos estados.

Mensagem de Natal

O presidente eleito usou o Twitter nesta segunda-feira, 24 de dezembro, para enviar uma mensagem de paz aos cidadãos brasileiros: 

“É chegado mais um Natal, momento especial onde relembramos com nossas sagradas famílias o nascimento de Cristo. É com este sentimento, inspirado na família simples que recebeu em um humilde presépio a encarnação do próprio Deus, que contemplamos a chegada de um novo Brasil. Com humildade, aceitando quem tem no coração a vontade de construir um Brasil melhor, buscaremos nos próximos anos restaurar o sentimento familiar há muito desgastado em nossa sociedade, bem como a paz dentro de nossos lares. Tenhamos todos um Feliz Natal! Fiquem com Deus!”, declarou Bolsonaro.

Jair M. Bolsonaro
 
@jairbolsonaro
 

É chegado mais um Natal, momento especial onde relembramos com nossas sagradas famílias o nascimento de Cristo.

É com este sentimento, inspirado na família simples que recebeu em um humilde presépio a encarnação do próprio Deus, que contemplamos a chegada de um novo Brasil.

Jair M. Bolsonaro
 
@jairbolsonaro
 

Com humildade, aceitando quem tem no coração a vontade de construir um Brasil melhor, buscaremos nos próximos anos restaurar o sentimento familiar há muito desgastado em nossa sociedade, bem como a paz dentro de nossos lares. Tenhamos todos um Feliz Natal! Fiquem com Deus!

 

Cotada para a Secretaria Nacional de Juventude, que a partir de agora estará abrigada no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a evangélica Desire Queiroz foi militante do CONJUVE (Conselho Nacional de Juventude), que propõe cotas LGBT e gênero nas escolas.

Após sofrer resistência de vários setores cristãos conservadores em razão da sua conhecida militância em organizações com perfil progressista, algumas das quais ligadas à defesa da ideologia de gênero, Desire Queiroz apagou suas redes sociais e passou a se afirmar “conservadora” e “evangélica de berço”.

Porém, em entrevista ao jornal do CRA do Mato Grosso do Sul, seu estado Natal, Desire Queiroz reconhece, triunfante, sua militância no CONJUVE: “Sou a primeira mulher e negra a ocupar a se tornar conselheira no CONJUVE e com muito orgulho de ocupar esses espaços […] O CONJUVE é um Conselho Deliberativo e Fiscalizador das atividades da Secretaria Nacional da Juventude (SNJ)”.

O CONJUVE, de matriz progressista e que já teve a comunista Manuela D’Avila (filiada ao PCdoB e candidata a vice na chapa derrotada de Fernando Haddad) no seu quadro de membros, participou da elaboração do Plano Nacional de Juventude, cujo objetivo era de “apresentar ao Congresso Nacional um conjunto de objetivos e metas para serem analisadas e consolidadas como política pública de Estado para a juventude brasileira”.

O CONJUVE, ao lado de várias entidades, encaminhou ao Congresso uma versão do Plano Nacional de Juventude repleto de referências à Política de Gênero e toda uma plataforma voltada às minorias da nomenclatura LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros, Queer, Intersexuais).

No capítulo intitulado “Do direito à profissionalização, ao Trabalho e à Renda”, por exemplo, o Plano Nacional de Juventude sugere: “Promover parcerias entre as escolas […] para direcionar os jovens para as oportunidades de bolsas, projetos de extensão acadêmica, estágios e emprego, com recorte racial, de gênero, juventude rural, PCT’s, LGBTI […]”.

Na página 53 há também um aceno aos direitos LGBT, entre eles de que casais homoafetivos possam adotar crianças: “Respeitar todas as formas de orientação sexual e o direito do jovem à livre expressão da sexualidade, combatendo comportamentos discriminatórios e intolerantes em relação à sexualidade dos jovens, bem como assegurar aos casais homoafetivos e à população LGBTI o direito à união civil, herança, adoção, pensão e plano de saúde, entre outros”.

O Plano Nacional de Juventude concebido pelo CONJUVE e outras entidades da sociedade civil também sugere a “efetivação das cotas para mulheres, pessoas com deficiência, negros, PCT’s, indígenas, LGBTI, para o acesso em todos os programas que tenham por objetivo a formação educacional técnica para o mercado de trabalho”.

No CONJUVE, Desire Queiroz fez gestão para estabelecer uma política de cotas para mulheres dentro do próprio Conselho, procedimento que abre espaço para cotas sexuais de todo tipo. E fez gestão ainda para que o SINAJUVE focasse em Políticas Públicas de Gênero: “Pela primeira vez o Conjuve estabelece cláusula de paridade de Gênero em seu regimento. É um orgulho ter participado desta conquista ativamente. […] Além disso, fiz a solicitação de que o SINAJUVE rediga um instrumento de análise e base de Políticas Públicas de Gênero”.

Militância pró-ideologia de gênero

Em 2015 o CONJUVE protestou oficialmente contra a dissolução do Comitê de Gênero no interior do Ministério da Educação, criticando a “onda conservadora” e uma suposta bancada [evangélica] fundamentalista no Congresso: “O Governo Federal, sob pressão da onda conservadora e da bancada fundamentalista da Câmara Federal, extinguiu o Comitê de Gênero, instituído pela Portaria 916/2015 […] uma ação que mais uma vez busca invisibilizar e silenciar as discussões sobre gênero, orientação sexual, identidade de gênero, direitos sexuais e reprodutivos e sobre todos a famílias”.

Diz ainda a nota do CONJUVE: “Temos compromisso com a educação crítica, emancipatória e cidadã, com a educação em Direitos Humanos, com a educação para a igualdade de gênero, com a educação efetivamente inclusiva”.

“Eu também sou Marielle”

Na condição de representante do CONJUVE, Desire Queiroz discursou no evento de assinatura do decreto do presidente Michel Temer (MDB) que viabilizou o Sistema Nacional de Juventude, enfatizando que a luta de Marielle Franco era a sua própria, segundo informações do jornal O Globo.

“Hoje foi um dia histórico para a Juventude brasileira. Foi assinado o decreto que institui o Sistema Nacional de Juventude […] Não pude deixar de citar o assassinato da vereadora Marielle France e seu motorista. Uma mulher guerreira, sem medo […] Falei sobre minha filha, minha luta que é a de muitas outras mulheres. Eu também sou Marielle”, declarou na ocasião.

Desire também é uma ilustre militante do RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), que tem como “entidades parceiras” a Fundação Lehmann, Fundação FHC, Humanistas, Instituto Alana, Sustainable Development Solutions Network da ONU.

Ainda de acordo com o portal Crítica Nacional, seu nome teria sido indicado por “um candidato derrotado de Mato Grosso do Sul, sobre o qual pesam acusações de desvio de recursos públicos em uma estatal daquele Estado”. O nome dela vem sofrendo resistência de lideranças cristãs que atuam na política por conta de sua simpatia a figuras da extrema esquerda.

“A ativista Desire Queiroz, por sua vez, é conhecida por sua simpatia por figuras públicas da esquerda como Marielle Franco, a deputada eleita do PSOL Sâmia Bomfim, além de lideranças da UNE. Em suas postagens nas redes sociais, a ativista exibe um discurso recheado de clichês esquerdistas como transformação social e laivos de vitimismo racialista, além do endosso à proposta comunista de candidaturas coletivas”, destaca o portal.

Desire Queiroz foi candidata a deputada federal pelo Mato Grosso do Sul no PRB (Partido Republicano Brasileiro), legenda popularmente tratada como o “partido da Igreja Universal” e que integrou a base de Dilma Roussef até 2016.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos será comandado pela pastora Damares Alves, que teria descartado o nome de Desire Queiroz para a função por conta de sua atuação junto a grupos de esquerda, segundo informações do Diário Republicano.

No entanto, fontes que atuam nos bastidores da equipe de transição de governo indicam que Desire continuaria fazendo lobby, com ajuda de seus padrinhos políticos, para que seu nome seja o escolhido para a Secretaria Nacional de Juventude no governo Bolsonaro.

*O Plano Nacional de Juventude, que contou com sugestões do CONJUVE, pode ser lido na íntegra aqui: http://bibjuventude.ibict.br/jspui/handle/192/219 

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